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12 de março de 2014
28 de janeiro de 2014
10 de novembro de 2013
17 de janeiro de 2013
Sana

«...durante o verão de 1977, falei com um rapaz de doze anos, um verdadeiro prodígio na viola, que nascera cego. Perguntei-lhe se o que ele via diante dele era uma verdadeira escuridão uniforme. «Vejo exactamente a mesma coisa que tu vês com as tuas mãos», disse ele.
Esta resposta deixou-me espantado, mas também me deu esperança. Ao fim e ao cabo, há tantas coisas para além da nossa compreensão. Talvez haja até uma vida depois da morte e nos faltem os sentidos para saber como será e como parece - ou sequer para imaginarmos devidamente. Para tal, teríamos de ser capazes de «ver» com as mãos....»
Gostei. Essencialmente por ser um relato verídico, e por ser Richard Zimbler. Mas não é um livro mágico que queira voltar a ler daqui a uns anos! Apesar de tudo, é uma história que cativa, e que mostra como uma uma guerra marcou a vida das personagens principais. Para mais...é só ler!
20 de setembro de 2012
A boneca de Kokoschka
Adele ouviu tantas vezes aqueles suspiros que ansiavam por Mathias Popa que, um dia, tomou uma decisão: iria procurar o tal homem que era o seu avô. Estivesse vivo ou morto. Partiu em direcção ao guarda-fatos, àquela caixa de cartão onde se guardam memórias, para ver se encontrava alguma pista. E isso resumia-se a um cartão onde podia ler-se: «Eurídece! Eurídece!» e, no verso, o nome: Mathias Popa. Outro cartão, de um restaurante italiano, tinha um simples «amo-te» escrito a tinta permanente.
Tal como deve ser escrito o amor:
a tinta permanente.
Este livro é como um puzzle, um labirinto. Houve vezes que me perdi na história, e outras que ela própria me agarrou. Gostei muito!
6 de setembro de 2012
O prisioneiro do céu
Desde a "Sombra do vento" que sou fã do escritor Carlos Ruiz Zafón. E é sempre com grande entusiasmo que inicio um livro dele. E assim foi, com o prisioneiro do Céu.
É muito bom voltar a recordar o Daniel Sempere e o Cemitério dos Livros Esquecidos, e perceber como a história deste personagem se entrelaça com a do Fermíne e com a história do David Martín.
Gostei, mas confesso que no final fica a sensação que falta algo essencial: A magia que me conquistou na Sombra do vento.
18 de julho de 2012
O teu rosto será o último
«...E foi nesse preciso instante que o doutor Augusto Mendes reparou, pela primeira vez, nos olhos escuros daquela mulher, nos músculos dos braços que revolviam a terra e esfolavam os bichos e teciam os dias com uma paciência de sábio. E, a seguir, reparou nos dedos. Nos lábios. Nas ancas. E nunca mais a tratou por rapariga. Dali em diante, seria sempre Laura. A minha Laura....»
Começa por um titulo, lindíssimo! Daqueles para o qual me salta os olhos quando entro numa livraria.
Fácil de ler. Mas com um conteúdo rude, severo...acutilante, dos que dá "murros no estômago"!
Gostei muito. Muito mesmo!
5 de setembro de 2009
Amanhecer
- Para sempre, sempre e sempre - murmurou Edward.
- Isso soa-me a algo mais que perfeito.
Foi então que demos asas à nossa felicidade, naquele momento pequeno, mas absoluto, na nossa eternidade.
FIM
Podia haver só mais um livro. Um só. Nem precisava de ser tão grande. Bastava!
23 de julho de 2009
Quase romance
«...e, caramba, como tu ficavas bonita assim, sem precisares de dizer o que quer que fosse! Apenas a olhar em frente, como te tinha visto fazer em todos aqueles dias, no banco ao lado do meu jipe. Tu falavas pouco e essa era uma das coisas que de que eu gostava em ti. Quando tudo era bonito de mais ou duro de mais, tu ficavas calada a olhar silenciosamente. Falámos sobre isso uma vez, e eu disse-te que a vida me tinha ensinado que fácil era o ruído, as conversas sem sentido, a banalidade das palavras ditas sem necessidade alguma. De nós os dois, tu eras, sem dúvida alguma, a mais calma, a mais feliz tranquilamente. A mais disponível para o vazio e o silêncio...»
«...Um dia quando tive um grande desgosto, deitei-me para dormir sem saber como seria a minha vida para diante. Quando acordei, olhei-me ao espelho e vi, espantado, que duas grandes rugas me tinham nascido nessa noite, junto aos olhos. Não estavam lá antes de eu me ter deitado na véspera, mas agora estavam, nítidas e verdadeiras, a menos que eu as injectasse de botox e alguém inventasse uma cirurgia contra os desgostos. E habituei-me às rugas, conformei-me com o tempo que passa. Às vezes, lá onde moro, fico à noite a olhar as estrelas como as do deserto e oiço o tempo passar, mas não me angustia mais: eu sei que é justo e que tudo o resto é falso. E às vezes, nesse terraço onde vejo e oiço as estrelas, onde escuto e aceito a ampulheta da minha vida, acendo um lume à maneira do Ali, com os galhos e ramos secos que fui colhendo durante o dia, ao passear pela paisagem. E, às vezes também, quando então percebo que tudo está em paz e faz sentido, falo com a tua estrela, sei que tu me guardas e vigias, que perdoas todos estes anos de silêncio, tão cruéis e irreparáveis ausências, tanto medo, Claúdia, de seguir a tua estrela, a tua luz, em vez de tantas ofuscantes ilusões...»
No teu deserto, de Miguel Sousa Tavares
30 de junho de 2008
10 de dezembro de 2007
Filha da Fortuna
Eliza sentia o cheiro dele a sabão e suor, mas não se atrevia a aproximar dele o nariz, como desejava. Os únicos sons da ermida eram o sussurro do vento e da respiração agitada de ambos. Passados poucos minutos ela anunciou que tinha de voltar para casa, antes que se apercebessem da sua ausência, e despediram-se apertando as mãos. Assim se encontrariam nas quartas-feiras seguintes, sempre a horas diferentes e por pequenos intervalos. Em cada um desses alvoroçados encontros avançavam a passos de gigante nos delírios e tormentos de amor. Apressados, contaram um ao outro o indispensável, porque as palavras pareciam um perda de tempo, e depressa deram as mãos e continuaram a falar, os corpos cada vez mais próximos à medida que as almas se aproximavam, até que na noite da quinta quarta-feira se beijaram nos lábios, primeiro tacteando, depois explorando e finalmente perdendo-se no deleite até soltarem por completo o fervor que os consumia.
Isabel Allende
2 de outubro de 2007
Parar e perder uns minutos da eternidade que pode ser a nossa vida, para ler esta entrevista ao António Lobo Antunes. Vale todos os minutos...
<... Mas é verdade que me sinto mais livre, sinto-me muito mais livre. Livre para escrever, livre para viver, livre para amar. No outro dia, com os meus irmãos, disse ao João [o neurocirurgião João Lobo Antunes] que ele tinha escrito um texto muito bonito. E um deles comentou que nós não dizemos essas coisas uns aos outros. Eu agora digo, eu agora digo. E isso foi uma conquista porque, de repente, tornou-se evidente que esta é a única maneira de viver. Claro que tem que haver dignidade, e que não podem existir pieguices, mas acabaram-se as contenções. O meu avô morreu e, ainda hoje, sinto remorsos por não lhe ter dito que gostava muito dele...>
António Lobo Antunes - Visão
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