1 de abril de 2008

Eternamente

«…Sabes, quem não acredita em Deus, acredita nestas coisas, que tem como evidentes. Acredita na eternidade das pedras e não na dos sentimentos; acredita na integridade da água, do vento, das estrelas. Eu acredito na continuidade das coisas que amamos, acredito que para sempre ouviremos o som da água do rio onde tantas vezes mergulhámos a cara, para sempre passaremos pela sombra da árvore onde tantas vezes parámos, para sempre seremos a brisa que entra e passeia pela casa, para sempre deslizaremos através do silêncio das noites quietas em que tantas vezes olhámos o céu e interrogamos o seu sentido. Nisto eu acredito: na veemência destas coisas sem principio e nem fim, na verdade dos sentimentos nunca traídos.
E a tua voz ouço-a agora, vinda de longe, como o som do mar imaginado dentro de um búzio. Vejo-te através da espuma quebrada na areia das praias, num mar de Setembro, com cheiro a algas e a iodo. E de novo acredito que nada do que é importante se perde para sempre verdadeiramente. Apenas nos iludimos, julgando ser donos das coisas, dos instantes e dos outros. Comigo caminham todos os mortos que amei, todos os amigos que se afastaram, todos os dias felizes que se apagaram. Não perdi nada, apenas a ilusão de que tudo podia ser meu para sempre….»

Eternamente de Não te deixarei morrer, David Crockett
Miguel Sousa Tavares

3 comentários:

I disse...

muito, muito bom.

Patrícia disse...

está lá tudo.
É como se tivesse sido eu a escrever.
É tudo o que sinto. É tudo o que vivi com com quem gosto muito e já cá não está!
Como estás miga.
Beijo gr

Anónimo disse...

Só coisas lindas escritas por aqui.........NÃO CONSIGO TER TEMPO PARA LER, CARAÇAS!!!!
Espero que estejam bem. As fotos que vais pondo tb são lindas.
Bj gde.
Saudades.
Iolanda.